Carrefour lança edital de R$68 milhões para estudantes

O Carrefour lança edital de R$68 milhões para estudantes negros através de instituições de graduação e pós-graduação que desejam receber bolsas de estudo e permanência para estudantes negros de ensino superior.

A publicação é realizada no site do Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção de Promoção de Eventos) ontem (4) e é justificada pela TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) homologada em 2021 pela rede.

O termo foi firmado após a morte de João Alberto Silveira de Freitas, 40 anos, nas dependências de uma unidade da Carrefour em Porto Alegre, em novembro de 2020. Em suas normas, está o cumprimento de obrigações no valor de R$115 milhões destinados à promoção da igualdade racial e dos direitos humanos em geral.

Sobre o edital

Dos R$68 milhões declarados em edital lançado pelo Carrefour, 30 milhões são destinados para mestrandos, R$20 milhões para alunos de graduação, R$ 10 milhões para doutorandos e R$ 8 milhões para estudantes de especialização.

De acordo com o documento, o processo seletivo é promovido pelo grupo Carrefour em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

O objetivo das concessões de bolsas mensais que podem contemplar estudantes de universidades públicas ou particulares é o estímulo nas áreas do conhecimento historicamente com baixa representatividade da população negra.

Além disso, uma das regras é que 30% do montante previsto seja destinado a cursos de graduação e programas de pós-graduação em instituições com sede ou campus e com respectivo curso desenvolvido no âmbito territorial do Rio Grande do Sul, já que o fato que gerou a operação do acordo ocorreu no Estado.

Os alunos brasileiros que se adequam aos critérios estabelecidos poderão se aplicar para as bolsas no site do Cebraspe até o dia 31 de agosto de 2022.

Relembre o caso

Na noite do dia 19 de novembro de 2020, na véspera do Dia da Consciência Negra, João Alberto, homem negro 40 anos e prestador de serviço foi agredido por seguranças do hipermercado Carrefour, localizado no bairro Passo D’Areia, na Zona Norte de Porto Alegre.

O inquérito policial foi concluído quase um mês depois do ocorrido. De acordo com declaração da Polícia Civil na época, era possível identificar exagero nas agressões impostas à vítima, por fragilidade socioeconômica do rapaz.

Além dos seguranças agressores, o inquérito apontava outros quatro indiciados que contribuíram para a morte por manterem os populares e a esposa da vítima afastados da situação, inviabilizando qualquer ajuda.

A delegada responsável, Roberta Bertoldo, afirmou a relação da catástrofe com o racismo estrutural:

“Nós fizemos uma análise conjuntural de todos os aspectos probatórios e doutrinários e concluímos, portanto, que o racismo estrutural que são aquelas concepções arraigadas na sociedade foram sim, fundamentais, no determinar da conduta dessas pessoas naquele caso”, afirmou.

Ainda antes da conclusão policial, a sociedade já havia entendido o motivo do caso e repudiado a ação dos seguranças, que foram presos logo após o ocorrido. Com efeito, vídeos do caso circularam rapidamente pelas redes sociais e uma série de manifestações contra o racismo passaram a ocorrer em diversas cidades do país.

Obrigações impostas pela TAC

As obrigações impostas pela TAC vão muito além da atualização do Código de Ética e Conduta do Carrefour Brasil. A rede precisou mudar a dinâmica para atender às exigências de equilíbrio da composição étnico-racial e de gênero dos trabalhadores no ambiente corporativo e implementar novas políticas.

A previsão do termo é de que a Carrefour destine R$ 4 milhões para programa específico de estágio e de trainee para pessoas negras, para fomentar os quadros de liderança da companhia. Além disso, obriga a contratação de ao menos 30 mil funcionários negros, respeitando a diversidade racial e de gênero da população do país.

Além disso, foi necessário revisar a Política #eupraticorespeito, no intuito de reforçar medidas de enfrentamento da discriminação e da violência e assumir responsabilidade pela não contratação de empresas de vigilância que tenham, como proprietários ou empregados, policiais da ativa ou quaisquer pessoas que tiveram ou tenham registros criminais relacionados a envolvimento com organizações criminosas ou atividades de milícias.

Em suma, todas as regulamentações exigem a contribuição para a igualdade de raça no território nacional. O cumprimento dos acordos firmados é verificado anualmente por auditoria externa independente desde o ocorrido. Inclusive, o Carrefour lançar edital de R$68 milhões para negros é uma dessas ações.

você pode gostar também

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Ler Mais

error: Proibido copias